segunda-feira, 19 de outubro de 2015

APENAS UMA DORZINHA João Paulo Feliciano Magalhães

Sofrer é um chão de agulhas em pés descalços,
É sentir que sua orquestra toca sem sua regência,
É se perder no caos e na ordem,
É chorar na seca de São Paulo.
No entanto, há quem escolhe viver sem água, em meio ao sem e com varinha mágica...
Ouvir sinfonias estranhas, de caminhos diferentes ou...
Ter seus pés cascudos.
Tragédias em telenovelas pseudoteatrais,
Razão sem razão,
Foco sem direção,
Tritonos soando em ouvidos e almas aventurosas...
Enfim...

Você já sofreu hoje?

quinta-feira, 3 de abril de 2014

INSÔNIA PEDAGÓGICA (Aline Ruivo)

"Irei ao quartel, a qualquer base militar, até ao Afeganistão... mas não é possível, essas crianças, jovens, adolescentes precisam ter limite.
Não é possível, não é possível, que o absurdo beire a monstruosidade... estou passada, acabada.
SOS, help, socorro, PQP alguém me ajuda!!!
Não é possível que nada possa ser feito, que nada atinja corações tão jovens...e que deveriam ser inocentes.
A loucura beira a minha mente assim como a inconformidade. Vou sair, vou gritar, alguém há de me escutar. Não é possível, não é possível.
Jovens sem eira, nem beira... sem a eira do amor, sem a beira do limite.
Mártires venceram a guerra, mães choram pelos seus filhos e professores fazem o quê... o quê...
Desabafo monstro, desabafo pesaroso, desabafo verdadeiro! Que escutem o meu grito no mundo inteiro.”

segunda-feira, 17 de março de 2014

POEMA MEIO VOCÊ DECIDE João Paulo F. Magalhães



 -- Desconstruí meus ideais por um sólido ideal visual.
Cruzei barreiras de todas as partes, passei por sais de mares e de lágrimas.
Corri por campos e por minas.
Fugi de bombas corruptas televisivas.
Enxuguei minhas metáforas, tudo pra ser mais simples pra esse momento.
Ufa! Cheguei! Mas cadê todo mundo?
(Final 1 possível)
-- Todo mundo está atrás de você, cada um a seu tempo. Também esperam que lhes espere.

(Final 2 possível)

-- Se liga cara. Você chegou cedo de mais pro show de metal. Só semana que vem!

quinta-feira, 6 de março de 2014

TERRA DO NUNCA (NUNCA?) João Paulo Feliciano Magalhães


Numa terra muito distante, um professor passa uma espinafração num aluno:
-- Seu aluno ruim! Como pode ser tão insolente?
-- Mas...
-- Mas... nada, rapaz! Você está sendo motivo de vergonha para nós. Como ousa?
-- Mas...
-- Não me interrompa! Como ousa tirar 9,6 na prova da Olimpíada de Matemática?
-- Mas eu venci a Olimpíada, Senhor!
Bufando fogo feito uma caldeira, o professor se retira. Bate a porta com tudo. O pobre aluno, num lampejo de ideia, com certo ar de vingança, diz pra si mesmo:
-- Um dia eu vou-me embora para o Brasil. Lá tem futebol, bunda e um professor bonzinho que vai me passar de ano com um cinquinho na prova final.

Moral da história: se você tiver tempo, corra, pois aquilo que já é ruim pode melhorar.





(Imagem tirada do Jornal do Brasil)

segunda-feira, 3 de março de 2014

SÍNDROME DO SONO EDUCACIONAL João Paulo Feliciano Magalhães




Hoje é dia 3 de março de 2014. Uma segunda-feira de carnaval, inútil e embebedante pausa no calendário do Brasil. Estou aqui ao computador e ouvindo o som da TV no canal Globo, mais precisamente no momento em que se transmite o tal Big Brother Brasil, um pouco antes de tambores, peitos e bundas desfilarem na Sapucaí. Em meio a esse contexto, estou aqui refletindo sobre a PREGUIÇA NA EDUCAÇÃO. Sim, preguiça na educação. Algo que vem me chamando a atenção desde que comecei a trabalhar como professor de português no estado de São Paulo. É impressionantemente preguiçosa nossa educação. Vejo alguma agitação durante as atribuições de aulas – a partilha do pão --, mas depois disso, apenas observo o mais absoluto sono. Professores com preguiça de trabalhar; gestores com preguiça de gerir; funcionários com preguiça de despachar... alunos com preguiça de estudar. O mais curioso é que esse povo todo reclama dos insucessos da bagaça da educação, porém, com tanta preguiça... Às vezes, há preguiça até de se fazer uma reunião... preguiça de convidar a comunidade a participar da escola... preguiça de falar a verdade, de ser honesto com o espelho e com a rua... E ainda vem me dizer (reproduzir) clichês ridículos da educação, tais como: competências e habilidades, alunos autônomos, projeto político pedagógico, sequências didáticas, alunos silábicos com e sem valor, provas diagnósticas... Meu desafio para esse ano vai ser fugir dessa preguiça. Briguem os pequenos de espírito pelo poder mais pequeno ainda. Cansei de estar cansado. Olhem-se em seus tantos espelhos.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

SUBCONSCIENTE João Paulo F. Magalhães



Ex amigo é...
Um poema inacabado...
Um longe sorriso...
Um vazio entre metades de um caneco de chás...
É quando somos piegas sem perceber...
E sem sorriso...
Nadamos nos vazios dos canecos da vida...
E nos versos que faltam no subpoema...
Com a esperança desse amigo...

Não ser mais ex amigo.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Receita para se dar bem no meio de jovens cristãos moderninhos João Paulo F. Magalhães


1.      Ande com a bíblia, nem que você jamais a leia. Servirá por exemplo para se bater na cabeça de seus colegas mais bagunceiros.
2.      Sorria! Gargalhe até! As pessoas tem de pensar que você é deveras o Iluminado. Vista o ethos do popular.
3.      Reze alto. A ideia é que se imagine que você é perseverante na fé, mesmo que não seja.
4.      Se você fez teologia em algum momento de sua vida, abotoe o colarinho da camisa e ande com o corpo ereto, cabeça inclinada para trás em 15 graus. Use termos rebuscados, em hebraico, grego ou latim de preferência. Todo mundo paga pau.
5.      Se você gosta de um cigarrinho, de uma bebidinha, de um bordelzinho, procure fazer isso bem longe – de sua mãe é claro – porque seus colegas cristãos nem vão ligar.
6.      Beije e abrace todo mundo na igreja, até os mais fedidos – embora isso exija certo esforço. Mas se não der, feche os olhos e finja estar rezando. Funciona viu!
7.      Não esquente com palavrões. São normais.
8.      Nunca, nunca mesmo fale mal de um colega seu na cara. Fale pelas costas. Mas fale muito se o cara merecer. Assim você pode se preservar, evitar certas brigas. Depois, se ele descobrir, minta, não tem problema e ninguém vai saber mesmo.


sábado, 30 de novembro de 2013

OBSESSÃO João Paulo F. Magalhães

Hoje estava assistindo um vídeo de uma entrevista de Mario Sérgio Cortella sobre os efeitos da televisão. Não exatamente o tema televisão me furtou o olhar, mas uma das falas do filósofo: toda obsessão é doentia. Trata-se de uma afirmação interessante para mim, mas que merece ser analisada, explorada, dilacerada e ruminada aos pouquinhos, em vários contextos. Minhas pretensões não circundam a ideia de me comparar ao filósofo, mas pura e simplesmente experimentar sua ideia ao meu modo. Vamos pensar nisso, caro leitor, em três situações: trabalho, arte e família. Vivemos numa sociedade frenética, um verdadeiro garimpo de oportunidades – para o bem ou para o mal – nos mais variados setores. Um individuo nesse contexto tem de estar preparado tal qual o jacarezinho já esta quando sai de seu ovo e caça no seu primeiro dia de vida pós casca. O sujeito tem de se virar, de fazer isso ou aquilo para garantir sua sobrevivência numa esfera de consumo. E o trabalho nessa história? Algumas pessoas entendem que devemos buscar pontos de equilíbrio no que se refere ao envolvimento no trabalho, mas vejo diversos exemplos de pessoas brilhantes que são verdadeiramente obsecadas por seu trabalho, bem como fabulosamente bem-sucedidas. Citar nomes seria um clichê – um subversivo argumento de exemplo – e não é minha intenção. Coloco aqui mesmo é a tal obsessão. Mas muitas vezes essas pessoas abrem mão de coisas elementares; prazeres de convivência e de diversão; suas mais particulares vidas. Seriam esses indivíduos mergulhadores suicidas? O outro ponto de minha trilogia é a arte. Jimi Hendrix, segundo Eric Clapton, tomava café com a guitarra em seu colo, como uma criança a ser acarinhada. Villa-Lobos, segundo Jobin, compunha debruçado no chão da sala em meio a seus netos correndo e barulhando – obra fantástica! Picasso, Pessoa, Ramos, Rosa, Assis... tantos nomes dos mais obsecados pela perfeição em seus fazeres; em sua arte. Seriam eles doentes? E a família? Bom, eu como professor, vejo centenas de crianças das mais variadas estruturas – e antiestruturas – familiares. Pequenas pessoas cujos pais muitas vezes optam por meios dolorosos de educação ou punição. Há os que nem se importam com suas proles, porém os que de fato ligam para os seus, por vezes, demonstram uma vibração de vida capaz de contagiar estádios inteiros. Seriam esses pais seres apaixonados e inconsequentes?  Seriam eles antiexemplos? Como é de minha postura, sempre me projeto nas situações sobre as quais reflito. Hoje, diferentemente de antes, não tenho reservas nisso. Bem, diria que, dentro dessas três partes presentes na vida de um sujeito, eu alterno um comportamento obsessivo sim. Ora um, pra outro, eu vou me atirando rumo ao muro – e ao outro lado do muro. Nesse instante, almejo a família, sob todas as coisas. Sou antiquado nesse ponto; acredito que família demanda essências elementares. O amor: a maior delas. Creio que é preciso perceber que não estamos sozinhos, que não viemos ao mundo para meras paginas em branco no final. E a família é algo que desejo loucamente. Sonho com coisas comuns: passeios no parque e piquenique com esposa e filhos, os primeiros dentes do caçula, abraços de boa noite e de boa vida, crianças nos ombros, beijo na esposa de 25 anos... momentos a serem vividos... Sou um cara de teatros, de centopeias de falas, o terror dos parágrafos de Otton M. Garcia. Sou intenso e calado. Bicudo e sorridente. Olhar confuso e cinza. Perco-me em objetivos por um objetivo maior.  Seria eu um suicida, um doido, um obsecado?...
O que você me diria?

30-11-2013
30-11-2013

segunda-feira, 22 de julho de 2013

PRIMEIRA CRÔNICA João Paulo F. Magalhães




Então o verbo se fez escrita e habitou entre os bits.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

ÚLTIMA CRÔNICA João Paulo Feliciano Magalhães


São Papré-ethos.  Acho que nunca a tive em sua plenitude. Seguros de si são psicopatas muitas vezes. Noutras são políticos, advogados... e noutras... professores de matemática... e de gramática. Antes, todavia, é interessante que esclareça os termos escolhidos para esse texto: Última crônica. Crônica porque quero chamá-la assim. Talvez por influência da efemeridade e imortalidade dos textos de Drummond, Ponte Preta, Sabino e Cury. Quem sabe pela pressa em escrever do jornalismo e das ciberrelações atuais. Ou pelos 3h15 das canções bregassantânicas atuais... quem sabe?! Última porque é última mesmo. A palavra se resume a si em sua simples semântica. Eu nunca dato meus textos. Talvez o ano, mas, normalmente, pelo que aprendi estudando linguística é que o próprio léxico de quem lê misturado ao discurso misto é o que data o texto. Mas hoje me deu vontade. Sim, porque é o último. O último dos textos. O derradeiro de uma epopeia desde 2008, um pouco sombria talvez, muito sonhadora e cheia de pathos certamente. Cansei. Cansei dessa fase. Preciso de um pouco de canudos novos em sucos genuínos... de quadros de loucos das praias... de toques de gaita de fole em plena Mata Atlântica... O fato é que não vou mais escrever no Ciberneticismo. Já se tornou um antiblog há tempos. Mas a proposta era essa mais ou menos. O que me incomoda hoje em escrever para cá é o fato do apego. Cada texto publicado aqui e assinado por mim não é mais meu. É de quem quiser usar... sem medo de ser feliz e infeliz. Estão aí... cabeças em bandejas, demônios, fadas de rastros de luzes, beijos e amores, cada coisa importante que vivi de 2008 para cá. Cada uma delas, de algum modo se pendurou entre letras e lentos pensamentos felicianescos. Mas precisa acabar. Entretanto, como num copo d’água mental de um esquizofrênico, sumario e paradoxalmente, a gota transbordadora foi uma palavra: RELAPSO. Num contexto cheio de óleo combustível, ouvi isso se referindo a mim, ou a ao menos um de meus ethos. Cada fone dessa palavra reverberou por um instante em minha mente e me deu uma dor incrível, aquela que meu amigo João Rosa disse certa vez ser uma estranha dor. Eu sou relapso? Sim sou. Sou com um monte de coisas. Sou tão assim que essas coisas gritam para mim de tão afastadas e ao mesmo tempo tão perto. Minha profissão, por exemplo, que é a de professor, faz com que nos tornemos relapsos velados ou declarados. Homens e mulheres, bem mais mulheres, bebem seus cafés, chamam alunos de lixo, fumam seus cigarros e fecham os olhos para tudo. Eu sofro de um mal, sabe: o da heteroxidade educacional, mais precisamente, o pato feio no ninho de galinhas. Sempre fui assim em várias situações. Logo não seria tão diferente com a educação. Para que presto na educação? No fundo somos mais um recebedor de holerite, agora on line. Mas o dia 12 de abril, agora 1h50, é um dia de ser menos relapso. Por isso, vou iniciar pelo fim: fim do Ciberneticismo, coisa que leram alguns, poucos manifestaram esboços de compreensão e ninguém comprou seu ingresso de alimentador dessa coisa toda. Minha intenção aqui não era deixar uma grande obra feito Pe. Marcelo Rossi, financiado pela Globo, com seus Best Sellers. Eu só quis escrever. Só isso. Apenas queria ver o que pensava em parágrafos e discursos. Apenas isso. O apenas agora 1h55 é um pouco prolixo... e demais relapso... demais... Fica um abraço a todos... obrigado.
ulo, 12 de abril de 2013, 1h15. Horário dos mais esquisitos à maioria de quem vive nessa cidade, mas um habitat dos que gostam de escrever. Pois bem, no ambiente adequado, diante de algumas reflexões, tenho um pouco mais de segurança em decidir algumas coisinhas. Segurança? Acho que esse é o comportamento mais solicitado pelos fiadores de meu

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

UM CONTO DE FADAS João Paulo Feliciano Magalhães



Numa terra distante, onde as pessoas vivem sobre um relevo de montanha russa, fugindo das enchentes... onde, de vez em quando, o dia tem apenas 16 horas devido aos eloquentes toques de recolher... havia uma escolinha. Como em toda escolhinha, havia lá um estacionamentozinho com carrinhos, uma cachorrinha (e um cachorrãozinho), um parquinho, escadinhas com degrauzinhos, um patiozinho repleto de pombinhos nojentinhos, comidinha, bebidinha (e outras coisinhas psicotropicazinhas), trabalhinhos do primarinho, livrinhos sujinhos amontoadinhos e outros trocinhos.
Nessa escolinha, praticamente um reino encantado, havia um reizinho, acompanhado por toda sua tabula quadrada de ministrozinhos. Estes, por sua vez, comandavam os “sabiozinhos” no embate dialético com seus alumines.
Com tal poder retórico, invejado por Marx, Obama e Marcola,, o reizinho comandava seu pequeno reino/escola. Felizes com os acordinhos com este ou aquele, o sabiozinhos desfrutavam dos prazeres que só tal reino poderia oferecer. Conduziam seus trabalhos com os alumines no compasso de Wagner: devagar e sempre (ao menos Wagner admitiu que tocar de vagar uma sinfonia é algo dificílimo). Os pobrezinhos alumines, por sua vez, morriam de fomes: fome ética, fome política, fome intelectual, fome de respeito.
Mas eis que, num dado momento, um alumine, ousado diria eu, levantou-se contra o rei e arriscou seu destino interpelando seus sabiozinhos. Um dia, invadiu a sala do rei e exclamou:
-- Quem o senhor pensa que é para nos tratar dessa forma? Deus? Mito? Fidel Castro? Obama?
-- Ora, pois, insolente! Eu deveria condená-lo a sangrar eternamente pelo seu boletim. Mas vou apenas privá-lo dos seus 200 dias letivos como pena, caso você se ajoelhe e beije meus pés.
-- Nunca! A constituição me garante plenos direitos subjetivos nesse reino/escola. Exijo que o senhor pare com suas atitudes déspotas.
Num sorriso, o reizinho puxou o pobre ser menor de 18 pelo braço e exclamou:
-- Você quer mesmo saber quem sou eu?
-- Si... si... sim.
-- Eu sou o Professorzinho.


terça-feira, 16 de outubro de 2012

SONHAR (João Paulo F. Magalhães)


Às vezes eu me sinto um piá em seus braços
Acalentando-me como as rainhas das florestas com seus guris
Me fazendo sonhar as fantasias de moleques
E me ensinando com olhar de marfim pr’um menino
Menino este que cintilantemente
Flutua sobre a natureza de ser homem
Pra ser só seu...
Seu menino.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

MANIFESTO CONTRA O PROFESSOR BATATA (João Paulo Feliciano Magalhães)



Enquanto isso, numa porta de uma escola qualquer da rede pública de São Paulo:
-- Senhoras e senhores... respeitável público de nossa naçãocirco. Pobres digeridores do escárnio do topo da pirâmide... olá! Gostaria de manifestar minha indignação – mais que isso – meu repúdio – mais que isso – ah, não importa – contra uma espécie de ser capaz de dissolver seus miolos, destroçar seu caráter, explodir seu ser. Ora, que ser é esse? Sim... o abominável, temido e mal educado Professor Batata. Mas, antes de tudo, preciso explanar quem é esse ser diabólico – numa perspectiva cristã (ou nazocristã). O Professor Batata é um ser que habita nossas salas de aula e vem assustando nossas proles. Ele possui uma característica inconfundível: uma cabeça de batata. Aí, então, queridos, vocês podem se perguntar: o que seria uma cabeça de batata? Uma cabeça de batata consiste em uma parte do corpo do Professor Batata que abriga um cérebro de batata.
-- E como seria um cérebro de batata?
-- Ele é chato e assimétrico, cheio de massa carboidrática, mas com pouquíssima atividade neurossapiencial.
-- Ó!!!
-- Pior que é! E, ainda, amigos, nossas proles correm o risco de serem transformados em Seres Batatais em seus laboratórios macabros: as escolas.
-- Ó!!!
-- Sórdidos, fúteis, mesquinhos, falaciosos, infiéis, maldosos... IGINORANTES!!!
De repente, um sapato, belo sapato, vermelho, comprado na Oscar Freire, voa e... PAH!!!
-- Demônio! Não posso deixar essa tranqueira falar mal de nós professores.
-- Ah, professora!!!

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

RETRATO ENCANTADO João Paulo Feliciano Magalhães


Alvorada urbana
Menina do olimpo
Felicidade de um chinelo.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

SUSSURROS E SABORES DE REGINA (João Paulo Feliciano Magalhães -- 23 de julho de 2012)


A sussurrar com seus gestos, num instante,
A musicar todo os passo num clarim,
Harmonizando entre pifes e jardins,
E articulando todo o mundo em diamante...

Assim, Regina, à estrada me remete:
A paraísos...  e montanhas... semitons...
A partituras.. sax.. solo... sol e sons...
A linha férrea: melodia se repete.

E as correntes... corrimãos... e tudo vibra...
Vermelhifica, verdifica cada tom...
Azulifica entre nuvens e sabores...

O seu cantar, o seu dançar, de tudo livra...
Sorrisifica, versifica os meus sons...
Abracifica e me seduz em seus odores.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

PASSEIOS (João Paulo Feliciano Magalhães)




As belezas não estão só nas metáforas
Ou nos olhos do poeta
Nas virtudes plásticas
Nas habilidades
Nas artes de fazer isso ou aquilo
Ou nas enumerações caóticas dos literatos...
A beleza está em toda parte
Mesmo que a parte não faça parte
Do todo menor
Ou faça parte
Do pobre maior...
A beleza é a certeza
Da ausência do certo e errado
Disso o daquilo
É puro e simplesmente
Ser belo...
Onde está a beleza?
Onde está a sua beleza?
A minha está aqui
Só não sei se é o mesmo belo que o seu.

domingo, 15 de julho de 2012

POEMA DE ONDE SÓ TU SABES (João Paulo Feliciano Magalhães)



São gêmeos...
Delicados com cristal...
Cristalizam meus lábios
Errantes por suas superfícies
numa conexão entre âmagos
e amados.

São gêmeos...
Brilhantes e deliciosos...
Alimentam meus sentidos
Articulados a seus centros
Nas emoções entre amigos trovadorescos
Amantes.

São gêmeos...
E sendo assim...
Unem beleza e fortaleza
Síntese duma alma graciosa
Delicada e repleta
De calor.

E sendo gêmeos
Me dão brilhos, sabores e calores...
São gênesis
São teus.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

MANIFESTO PINOT NOIR (Jopafema)




É alva, e acordamos para cada segundo do resto de nossas vidas. Família, trabalhos, carros, amores, mercado, paisagem, amores, anseios, angústias, amores, saudades, alegrias, futebol, amores, sorrisos, sentimentos, amores... Cada detalhe é um vidro em nosso mosaico grecocaótico. É uma pequenina cor, clara ou escura, híbrida e simples. Cada detalhe desses é um verso.
Os versos são emanados, não só dos lábios dos acadêmicos, mas das fitas róseas das crianças, das bocas dos amantes safados, dos beiços dos pedreiros e operários que não sabem ler, dos aparelhos fonadores de pessoas comuns. Comuns? O que é comum? Algo comum seria algo igual a outras coisas? Mas, nesse mosaico, cada vidrinho é assimétrico. Cada pessoa é diferente. Cada verso é singular.
E, nesse contexto, contestamos e cotextuamos com o Espírito Pinot Noir, em que o belo não é apenas um conceito: é a própria vida. Nesse espírito, palavras não entendidas são mais lindas que as não ditas, os silêncios são vocábulos, os olhares são alexandrinos, os sorrisos redondilhas maiores e menores. Somos comuns. Somos, pois, poetas. Somos os versos dos lábios de Deus. Somos o que somos, quem somos, o poema que somos. Isso, pois, através do caos, a poesia ainda existe.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

ALVA


Ao leste Clau
Na alvorada mais simples e sublime,
Clareando os rebanhos de nuvens,
O azul do céu e de meus olhos...
Alumiando solo, sal e dia.

FRANS

quarta-feira, 2 de maio de 2012

AMEAÇA INFLUENTE


Demorei muito para escrever sobre esse assunto. Talvez por uma sensação de geleia de jiló, sei lá. Mas realmente o fato de dedicar alguns poucos minutos a escrever sobre isso já me faz um, digamos, herói didático-moderno. Pois bem, vamos ao assunto.
PLIM: Professores. E minha onomatopeia não está no começo deste parágrafo por adorno. Pode, por exemplo, criar o efeito de luz, como na Grécia Antiga, em que os que ensinavam eram tidos como mestres e os que aprendiam “sem luz”. Ou talvez seja uma colherada na taça dos filósofos que ensinavam enquadrados no modelo escolástico, típico da época das espadas e armaduras. Ou, ainda, seja o brilho nos olhos de pessoas de grandes mentes e afetos como, por exemplo: Paulo Freire (o nome fala por si só).
Mas, como gosto de siglas (e sou dado à invenção pouco séria das mesmas), eu a utilizarei como tal (sigla) para denominar a espécie de docentes habitantes das cavernas escolares. PLIM: Professores Loucos Insanos e Maldosos. Assustadora é essa forma de vida de réguas e giz na mão, que vem assolando a nossa humanidade ultrapopularesca brasileira.
Os PLIM’s são resultado de experiências desastrosas de políticas públicas de ensino. São terríveis em seu oficio. Os representantes do mau da galáxia brasiliense têm total confiança nessa espécie anômala de ser pensante.
Entre os profissionais da educação de alguma relevância, de alguma, realmente alguma, dignidade, os PLIMS’s têm se infiltrado. Salas de professores viraram verdadeiras salas 101. as lavagens cerebrais são cada vez mais constantes e controladas por essa espécie animal.
E sobre os alunos o veneno é cada vez mais lançado. Coisas como zeros atômicos, gritos nucleares, apagadoradas e coices superpotentes e outras formas de tortura. Conteúdo? Esse é usado como um funil na boca de um homem em congestão. Comédias! Comédias! Comédias!
Pois bem, existe um recurso importante para evitar a propagação dessa praga maldita: a inteligência. Se cada um dos afetados por esses seres souberem usar suas mentes no sentido de se protegerem contra tais seres, na verdade, estarão exterminando um, talvez dois.
Vamos Super-Herois, vamos à luta pedagógica/nuclear.
JPFM