quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

IN THE AIR (João Paulo Feliciano Magalhães)


A liberdade me mostra sua face quando,
Sem medos humanos,
Deixo-me guiar por você
Como as águias em formação
Com seus rasantes e altíssimos vôos
Nem que seja absolutamente
Espiritual.

PERHAPS (João Paulo Feliciano Magalhães)


Às vezes o tempo é jocoso
Por me fazer cego
Diante do caos
Às coisas miúdas e colossais:
-- miúdas pela sua singeleza;
-- colossais pela sua beleza.

Contudo,
Com seus ventos boreais,
O tempo remove as travas de meus olhos
E mostra você.
E me transporta pra lugares onde só visitei
Com minha imaginação por vezes quixoteana.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

CONVERSA DE BANHEIRO DE EMPRESA (João Paulo Feliciano Magalhães)


-- Ai, menina, eu conheci um rapaz maravilhoso. Seu nome é Joaquim. É uma perfeição de homem. Saímos ontem, jantamos... tivemos uma noite incrível.
-- Ele é bem dotado?
-- Sim, ele tem uma mente incrível!
-- Ora, querida, não estou falando de mente...
-- Ah, meu bem, quando se tem uma mente incrível, todo o resto funciona.

UM PEQUENO SOPRO (João Paulo Feliciano Mgalhães)


Hoje eu aprendi que, sinceramente, não é nada simples falar de alma e cormo para alguém que é apenas uma dessas partes... alguém que a solidão e seu ranger de ossos delgados já o visitam. Todavia... é fascinante... é de um prazer absoluto mostrar para essa pessoa como se constroem almas, quebradas como um vitral antigo, unidas e fortes como diamantes.

PS: não espere dormindo que seu príncipe a acorde... aliás, não espere... só acorde!

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

STAR’S CROSSROADS João Paulo Feliciano Magalhães



Minha estrela é bela como um Blues
E, no azul do céu,
Saboreia os raios dos sóis a sua volta
E me ilumina feito aurora musical.

Minha estrela é bela como um blues
E cheia de sentimentos.
E tamanha é seu sentimento
Que possui mais de uma alma
Indescritíveis em um
Igualmente indescritível
Corpo musical.

Minha estrela é como um blues
De onze compassos...
Simples...
De métrica perfeita
E mente absoluta.
E de notas sibilantes
Em sua lira angelical...
Constrói meu refugio cor de mar
Numa nação de cores fundidas.

Minha estrela é blues,
É estrela...
Minha estrela é mulher!!!

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

SETE HORAS DE SÃO LUIS (João Paulo Feliciano Magalhães)


Dá-se a luz de todos os lácteos sóis...
Sacramentam o grande advento...
Ganha corpo a luz, o pó, o vento...
E na noite, dançam os girassóis...

Alumia o meu olho boreal,
Cintilantemente mais que um Eu,
E, em meio à dança, vejo o teu...
Rosto cintilante e espacial.

E, nesse canto kilkerriano e andante, seguem os sóis numa antimetria...
Articuladamente com tua batuta estrelar
E tua pena diamantesca.

E, nessa trova andradiana e alegre, seguem as naus numa harmonia...
Paradoxalmente com tua lua a navegar
E em tua escolha estrelesca.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

MENINO POETA (Mulher das Estrelas)


Grande menino poeta
Me ensina escrever em versos
Uma caneta barata
Um pequeno papel rasgado
Palavras bonitas
Corre preenchendo linhas
Narrando pequenos fatos...
Ou conta grandes segredos... Secretos
Nunca antes desvendados

Deve ter voz de sussurro
Um poeta acanhado
Ou voz de desconhecido
Fala baixo enquanto grita!
Qualquer que seja...
Nos deixa maravilhados.
Grande menino poeta
Mil sonhos num mesmo olhar
Mil faces num só retrato!!!

domingo, 24 de outubro de 2010

Diário eletcrônio (João Paulo Feliciano Magalhães)


“Todos os dias, pego o Metrô Vermelho, sentido Corínthians Itaquera, aqui na Estação Marechal e costumo descer lá no Carrão. Meu escritório fica ali perto. Vou pra lá como quem vai para um Monte Castelo, mas sem conexões russianas com o Soneto Camoniano.
Entre as melodias afinadas (e desafinadas mais ainda de não-benditos funks) que driblo naqueles vagões, uma certa moça me chamou a atenção. Alta, nem muito delgada, nem rechonchuda... lábios finos e resplandecentes... cabelos longos e castanhos, assim como seus olhos, que, por sinal, pareciam me escanear do hardware corporal ao software mental – meu inconsciente... certo ar de mistério. Sempre sozinha, a não ser por um fone branco bastante discreto.
Inconsciente mesmo, e inevitável, foi fitar aquele olhar (ressaca ali só a de Dionísio). Eu descia no Carrão, ela no Tatuapé. Aquele olhar esfíngico tilintava como as pausas, na Petit Sweet, brilhava como as primeiras verdades de Vivald... sei lá, tudo era música naquele ser para mim. Aquele olhar...
Aí começamos um diálogo olhesco diariamente. Parecia um confronto de discursos prosaicos, todavia, com uma lira soando na conversa. Nunca vi ninguém assim... Na verdade, nunca vi cosmus assim (peço licença a você, meu interlocutor, por tanta passionalidade).
Lá no trabalho, entre relatórios de despesas e receitas, passei a escrever uns versinhos um tanto trovadorescos (bastante infantis, ha ha). Ah, talvez eu criasse coragem de entregar aquilo, talvez eu rasgasse tudo ou aquilo fosse parar numa carroça de reciclagem, assim como as trovas entraram, sem muita sorte, na tal MPB. Que diabos! Eu e esse meu vício musical!
Pois é, um dia eu embrulhei tudo para presente e levei comigo rumo ao Metrô. Resolvi me mostrar presente. Ah, por uns três dias eu ensaiei me aproximar. Suava borealmente... Tremia sibericamente... De repente, achei coragem nos livros de autoajuda que folheava (de minha chefe, é claro) e fui ao encontro dela. Cada passo meu era digerido por ela com serenidade londrina... Vagou um lugarzinho perto dela no exato momento e... eu, cheio de pastas e paixões, sentei ali pertinho dela. Quando virei minha face para falar, sei lá o quê, eis que sou interrompido por aqueles lábios:
-- Mistérios são mistérios, mas não são inatingíveis!
Camarada!... eu não vacilei mais e...” creactapuzin...
-- Poxa mano?! Isso é hora de acabar a bateria do Ipod?
Finalizado em 24 de outubro de 2010

domingo, 29 de agosto de 2010

O amante 0,11mm. JOÃO PAULO FELICIANO MAGALHÃES


Articulo um braço pra deslizar sobre tuas curvas,
Enquanto o outro se acomoda em teu pescoço.
E nessa trama vai-e-vem...
Vão-se meus pudores de sentimentos estranhos
Ultracelularescos.
Num instante mágico, peço-te: “canta!”
E cantas com um brilho absurdo
Longe de sintetizações.
Num piscar de olhos-diamantes...
Alguém me pergunta: “de onde vem esse som tão resplandecente?”
E na simplicidade de um amante voraz, sedento de paixões..
Sussurro:
-- São apenas cordas novas!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Aluno (nanoconto)


Nos olhos dele uma sinceridade doida, capaz de transcender minha rigidez de percepção: “banheiro!”.