segunda-feira, 22 de julho de 2013

PRIMEIRA CRÔNICA João Paulo F. Magalhães




Então o verbo se fez escrita e habitou entre os bits.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

ÚLTIMA CRÔNICA João Paulo Feliciano Magalhães


São Papré-ethos.  Acho que nunca a tive em sua plenitude. Seguros de si são psicopatas muitas vezes. Noutras são políticos, advogados... e noutras... professores de matemática... e de gramática. Antes, todavia, é interessante que esclareça os termos escolhidos para esse texto: Última crônica. Crônica porque quero chamá-la assim. Talvez por influência da efemeridade e imortalidade dos textos de Drummond, Ponte Preta, Sabino e Cury. Quem sabe pela pressa em escrever do jornalismo e das ciberrelações atuais. Ou pelos 3h15 das canções bregassantânicas atuais... quem sabe?! Última porque é última mesmo. A palavra se resume a si em sua simples semântica. Eu nunca dato meus textos. Talvez o ano, mas, normalmente, pelo que aprendi estudando linguística é que o próprio léxico de quem lê misturado ao discurso misto é o que data o texto. Mas hoje me deu vontade. Sim, porque é o último. O último dos textos. O derradeiro de uma epopeia desde 2008, um pouco sombria talvez, muito sonhadora e cheia de pathos certamente. Cansei. Cansei dessa fase. Preciso de um pouco de canudos novos em sucos genuínos... de quadros de loucos das praias... de toques de gaita de fole em plena Mata Atlântica... O fato é que não vou mais escrever no Ciberneticismo. Já se tornou um antiblog há tempos. Mas a proposta era essa mais ou menos. O que me incomoda hoje em escrever para cá é o fato do apego. Cada texto publicado aqui e assinado por mim não é mais meu. É de quem quiser usar... sem medo de ser feliz e infeliz. Estão aí... cabeças em bandejas, demônios, fadas de rastros de luzes, beijos e amores, cada coisa importante que vivi de 2008 para cá. Cada uma delas, de algum modo se pendurou entre letras e lentos pensamentos felicianescos. Mas precisa acabar. Entretanto, como num copo d’água mental de um esquizofrênico, sumario e paradoxalmente, a gota transbordadora foi uma palavra: RELAPSO. Num contexto cheio de óleo combustível, ouvi isso se referindo a mim, ou a ao menos um de meus ethos. Cada fone dessa palavra reverberou por um instante em minha mente e me deu uma dor incrível, aquela que meu amigo João Rosa disse certa vez ser uma estranha dor. Eu sou relapso? Sim sou. Sou com um monte de coisas. Sou tão assim que essas coisas gritam para mim de tão afastadas e ao mesmo tempo tão perto. Minha profissão, por exemplo, que é a de professor, faz com que nos tornemos relapsos velados ou declarados. Homens e mulheres, bem mais mulheres, bebem seus cafés, chamam alunos de lixo, fumam seus cigarros e fecham os olhos para tudo. Eu sofro de um mal, sabe: o da heteroxidade educacional, mais precisamente, o pato feio no ninho de galinhas. Sempre fui assim em várias situações. Logo não seria tão diferente com a educação. Para que presto na educação? No fundo somos mais um recebedor de holerite, agora on line. Mas o dia 12 de abril, agora 1h50, é um dia de ser menos relapso. Por isso, vou iniciar pelo fim: fim do Ciberneticismo, coisa que leram alguns, poucos manifestaram esboços de compreensão e ninguém comprou seu ingresso de alimentador dessa coisa toda. Minha intenção aqui não era deixar uma grande obra feito Pe. Marcelo Rossi, financiado pela Globo, com seus Best Sellers. Eu só quis escrever. Só isso. Apenas queria ver o que pensava em parágrafos e discursos. Apenas isso. O apenas agora 1h55 é um pouco prolixo... e demais relapso... demais... Fica um abraço a todos... obrigado.
ulo, 12 de abril de 2013, 1h15. Horário dos mais esquisitos à maioria de quem vive nessa cidade, mas um habitat dos que gostam de escrever. Pois bem, no ambiente adequado, diante de algumas reflexões, tenho um pouco mais de segurança em decidir algumas coisinhas. Segurança? Acho que esse é o comportamento mais solicitado pelos fiadores de meu

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

UM CONTO DE FADAS João Paulo Feliciano Magalhães



Numa terra distante, onde as pessoas vivem sobre um relevo de montanha russa, fugindo das enchentes... onde, de vez em quando, o dia tem apenas 16 horas devido aos eloquentes toques de recolher... havia uma escolinha. Como em toda escolhinha, havia lá um estacionamentozinho com carrinhos, uma cachorrinha (e um cachorrãozinho), um parquinho, escadinhas com degrauzinhos, um patiozinho repleto de pombinhos nojentinhos, comidinha, bebidinha (e outras coisinhas psicotropicazinhas), trabalhinhos do primarinho, livrinhos sujinhos amontoadinhos e outros trocinhos.
Nessa escolinha, praticamente um reino encantado, havia um reizinho, acompanhado por toda sua tabula quadrada de ministrozinhos. Estes, por sua vez, comandavam os “sabiozinhos” no embate dialético com seus alumines.
Com tal poder retórico, invejado por Marx, Obama e Marcola,, o reizinho comandava seu pequeno reino/escola. Felizes com os acordinhos com este ou aquele, o sabiozinhos desfrutavam dos prazeres que só tal reino poderia oferecer. Conduziam seus trabalhos com os alumines no compasso de Wagner: devagar e sempre (ao menos Wagner admitiu que tocar de vagar uma sinfonia é algo dificílimo). Os pobrezinhos alumines, por sua vez, morriam de fomes: fome ética, fome política, fome intelectual, fome de respeito.
Mas eis que, num dado momento, um alumine, ousado diria eu, levantou-se contra o rei e arriscou seu destino interpelando seus sabiozinhos. Um dia, invadiu a sala do rei e exclamou:
-- Quem o senhor pensa que é para nos tratar dessa forma? Deus? Mito? Fidel Castro? Obama?
-- Ora, pois, insolente! Eu deveria condená-lo a sangrar eternamente pelo seu boletim. Mas vou apenas privá-lo dos seus 200 dias letivos como pena, caso você se ajoelhe e beije meus pés.
-- Nunca! A constituição me garante plenos direitos subjetivos nesse reino/escola. Exijo que o senhor pare com suas atitudes déspotas.
Num sorriso, o reizinho puxou o pobre ser menor de 18 pelo braço e exclamou:
-- Você quer mesmo saber quem sou eu?
-- Si... si... sim.
-- Eu sou o Professorzinho.


terça-feira, 16 de outubro de 2012

SONHAR (João Paulo F. Magalhães)


Às vezes eu me sinto um piá em seus braços
Acalentando-me como as rainhas das florestas com seus guris
Me fazendo sonhar as fantasias de moleques
E me ensinando com olhar de marfim pr’um menino
Menino este que cintilantemente
Flutua sobre a natureza de ser homem
Pra ser só seu...
Seu menino.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

MANIFESTO CONTRA O PROFESSOR BATATA (João Paulo Feliciano Magalhães)



Enquanto isso, numa porta de uma escola qualquer da rede pública de São Paulo:
-- Senhoras e senhores... respeitável público de nossa naçãocirco. Pobres digeridores do escárnio do topo da pirâmide... olá! Gostaria de manifestar minha indignação – mais que isso – meu repúdio – mais que isso – ah, não importa – contra uma espécie de ser capaz de dissolver seus miolos, destroçar seu caráter, explodir seu ser. Ora, que ser é esse? Sim... o abominável, temido e mal educado Professor Batata. Mas, antes de tudo, preciso explanar quem é esse ser diabólico – numa perspectiva cristã (ou nazocristã). O Professor Batata é um ser que habita nossas salas de aula e vem assustando nossas proles. Ele possui uma característica inconfundível: uma cabeça de batata. Aí, então, queridos, vocês podem se perguntar: o que seria uma cabeça de batata? Uma cabeça de batata consiste em uma parte do corpo do Professor Batata que abriga um cérebro de batata.
-- E como seria um cérebro de batata?
-- Ele é chato e assimétrico, cheio de massa carboidrática, mas com pouquíssima atividade neurossapiencial.
-- Ó!!!
-- Pior que é! E, ainda, amigos, nossas proles correm o risco de serem transformados em Seres Batatais em seus laboratórios macabros: as escolas.
-- Ó!!!
-- Sórdidos, fúteis, mesquinhos, falaciosos, infiéis, maldosos... IGINORANTES!!!
De repente, um sapato, belo sapato, vermelho, comprado na Oscar Freire, voa e... PAH!!!
-- Demônio! Não posso deixar essa tranqueira falar mal de nós professores.
-- Ah, professora!!!

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

RETRATO ENCANTADO João Paulo Feliciano Magalhães


Alvorada urbana
Menina do olimpo
Felicidade de um chinelo.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

SUSSURROS E SABORES DE REGINA (João Paulo Feliciano Magalhães -- 23 de julho de 2012)


A sussurrar com seus gestos, num instante,
A musicar todo os passo num clarim,
Harmonizando entre pifes e jardins,
E articulando todo o mundo em diamante...

Assim, Regina, à estrada me remete:
A paraísos...  e montanhas... semitons...
A partituras.. sax.. solo... sol e sons...
A linha férrea: melodia se repete.

E as correntes... corrimãos... e tudo vibra...
Vermelhifica, verdifica cada tom...
Azulifica entre nuvens e sabores...

O seu cantar, o seu dançar, de tudo livra...
Sorrisifica, versifica os meus sons...
Abracifica e me seduz em seus odores.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

PASSEIOS (João Paulo Feliciano Magalhães)




As belezas não estão só nas metáforas
Ou nos olhos do poeta
Nas virtudes plásticas
Nas habilidades
Nas artes de fazer isso ou aquilo
Ou nas enumerações caóticas dos literatos...
A beleza está em toda parte
Mesmo que a parte não faça parte
Do todo menor
Ou faça parte
Do pobre maior...
A beleza é a certeza
Da ausência do certo e errado
Disso o daquilo
É puro e simplesmente
Ser belo...
Onde está a beleza?
Onde está a sua beleza?
A minha está aqui
Só não sei se é o mesmo belo que o seu.

domingo, 15 de julho de 2012

POEMA DE ONDE SÓ TU SABES (João Paulo Feliciano Magalhães)



São gêmeos...
Delicados com cristal...
Cristalizam meus lábios
Errantes por suas superfícies
numa conexão entre âmagos
e amados.

São gêmeos...
Brilhantes e deliciosos...
Alimentam meus sentidos
Articulados a seus centros
Nas emoções entre amigos trovadorescos
Amantes.

São gêmeos...
E sendo assim...
Unem beleza e fortaleza
Síntese duma alma graciosa
Delicada e repleta
De calor.

E sendo gêmeos
Me dão brilhos, sabores e calores...
São gênesis
São teus.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

MANIFESTO PINOT NOIR (Jopafema)




É alva, e acordamos para cada segundo do resto de nossas vidas. Família, trabalhos, carros, amores, mercado, paisagem, amores, anseios, angústias, amores, saudades, alegrias, futebol, amores, sorrisos, sentimentos, amores... Cada detalhe é um vidro em nosso mosaico grecocaótico. É uma pequenina cor, clara ou escura, híbrida e simples. Cada detalhe desses é um verso.
Os versos são emanados, não só dos lábios dos acadêmicos, mas das fitas róseas das crianças, das bocas dos amantes safados, dos beiços dos pedreiros e operários que não sabem ler, dos aparelhos fonadores de pessoas comuns. Comuns? O que é comum? Algo comum seria algo igual a outras coisas? Mas, nesse mosaico, cada vidrinho é assimétrico. Cada pessoa é diferente. Cada verso é singular.
E, nesse contexto, contestamos e cotextuamos com o Espírito Pinot Noir, em que o belo não é apenas um conceito: é a própria vida. Nesse espírito, palavras não entendidas são mais lindas que as não ditas, os silêncios são vocábulos, os olhares são alexandrinos, os sorrisos redondilhas maiores e menores. Somos comuns. Somos, pois, poetas. Somos os versos dos lábios de Deus. Somos o que somos, quem somos, o poema que somos. Isso, pois, através do caos, a poesia ainda existe.